CIGC - Centro de Interpretação Geológica de Canelas

As Trilobites de Canelas

Provavelmente o maior atributo das trilobites de Canelas, está relacionado com o gigantismo ostentado por algumas espécies, ao ponto de serem consideradas as maiores do mundo. Do ponto de vista tafonómico e paleoambiental, o meio protegido e desaeróbico permitiu a conservação de exúvios junto a cadáveres completos de algumas espécies que viviam no limite das suas possibilidades vitais, de modo que muitas trilobites são fósseis únicos que completam o conhecimento de alguns táxones e inclusive evidenciam novas espécies.

O maior contributo ao nível da biologia das trilobites consiste na descoberta de associações mono e pluri-especificas de diversos géneros, a sua concentração em grupos numerosos indica a possibilidade de comportamentos gregários, o que torna este local único ao nível do registo paleontológico.

Foram até ao momento descritas as seguintes espécies de trilobites em Canelas:
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Hungioides boemicus (NOVÁK in PERNER, 1918)

A trilobite Hungioides constitui um dos maiores tesouros científicos da pedreira, pois trata-se de um género muito raro. A excepcionalidade desta espécie de Canelas consiste na elevada proporção de indivíduos completos ou de mudas de grandes dimensões, o que transforma esta pedreira na maior jazida mundial para esta trilobite.

Nobiliasaphus delessei (DUFET, 1875)

Trata-se de uma trilobite pouco abundante mas fácil de reconhecer pela longa espinha caudal que se levanta inclinada acima do plano do corpo, como se fosse um aguilhão e pelos olhos relativamente grandes. Esta espécie de Canelas, apresenta exemplares de grandes dimensões.

Nobiliasaphus nobilis (BARRANDE, 1846)

Pouco representada em Canelas, o único exemplar classificado é proveniente das camadas mais altas da pedreira.

Basilicus? n. sp.

A descoberta desta trilobite em Canelas constitui uma novidade absoluta no registo de trilobites do Ordovícico do sudeste da Europa e muito provavelmente corresponde a uma nova espécie de um género que ainda necessita de estudos mais avançados para a sua identificação.

Asaphellus toledanus (GIL, 1976)

O género Asaphellus é uma trilobite cosmopolita do Ordovícico Inferior e Médio, que em Canelas é bastante raro e está representado pela forma ibero-armoricana Asaphellus toledanus, nomeada a partir das suas jazidas nos montes de Toledo em Espanha.

Nerudaspis? Sp.

O mais enigmático dos fósseis de trilobites de Canelas encontra-se até agora representado por escassos exemplares de um asafídeo provido de uma larga e curta ponta pigidial.

Ogyginus forteyi RÁBANO, 1989

Esta espécie é o asafídeo mais abundante e dos que alcança maiores dimensões entre todas as trilobites da pedreira, sendo muito frequente encontrar exemplares completos. O seu maior contributo, reside na frequente associação de vários exemplares da mesma espécie, que poderiam ter desenvolvido comportamentos gregários durante o processo de muda ou reprodução.

Uralichas gutierrezi RÁBANO, 1989

Talvez a trilobite mais afamada de Portugal, dado que durante mais de 100 anos uma das suas espécies ostentou o recorde da maior trilobite do mundo, com base em reconstituição. O seu principal interesse reside no facto de os exemplares de Canelas serem os únicos completos, encontrados até a actualidade.

Ectillaenus giganteus (BURMEISTER, 1843)
Ectillaenus giganteus

Uma das trilobites mais frequentes e fácies de identificar no Ordovícico Médio, dada a morfologia ovalada e relativamente simples da sua carapaça. O seu cefalão tem aproximadamente a mesma forma e tamanho do que o pigídio.

Neseuretus avus HAMMANN, 1977

Esta espécie é sem dúvida uma das mais frequentes em Canelas, tem habitualmente uma forma bem definida, sendo possível encontrar indivíduos completos, por vezes enrolados em posição defensiva, outros encurvados em posição de vida.

Neseuretus tristani (BRONGNIART in DESMAREST, 1817)

Esta trilobite seria a evolução da anterior porque o seu registo só acontece em camadas de idade mais recente, na parte mais alta da pedreira, está por isso ainda mal representada nas colecções.

 

Colpocoryphe thorali conjugens HAMMANN, 1983

Os possíveis exemplares são pouco frequentes em Canelas.

 

Salterocoryphe cf. Sampelayoi HAMMANN, 1977

Esta espécie é relativamente frequente, sendo normal confundi-la com a Colpocoryphe devido à má conservação dos detalhes.

 

Bathycheilus castilianus HAMMANN, 1983

Uma das trilobites que aparece em maior numero, muito rara em todo o sudoeste da Europa, o seu reconhecimento é fácil desde que estejam preservadas as suas fortes e longas pontas genais, que ultrapassavam a ponta pigidial. Em Canelas aparece com frequência em grupos de vários indivíduos, ou associados a outras espécies.

Prionocheilus sp

Uma das formas mais raras da pedreira, apenas se conhecem quatro exemplares, o seu interesse prende-se por serem os registos mais antigos desta espécie no Ordovícico Médio da Península Ibérica. A sua identificação segura exige a descoberta de novos exemplares.

Retamaspis melendezi HAMMANN, 1972

A única trilobite dos níveis da pedreira com visão avançada, definida por possuir olhos esquizocroais, olhos grandes, compostos por um agregado de lentes independentes. È uma espécie bastante comum em Canelas, foi aqui descrita pela primeira vez em Portugal.

Eodalmanitina destombesi destombesi (HENRY, 1966)

Os registos desta trilobite são muito escassos, sendo a sua origem dos níveis superiores da pedreira.

Crozonaspis morenensis HAMMANN, 1972

Como a anterior, não existe ainda exemplares de relevo.

Pateraspis mediterrânea HAMMANN, 1972

Uma espécie bastante rara, no entanto bem representada em Canelas, por material completo e em bom estado de conservação. Graças aos exemplares de Canelas foi possível conhecer efectivamente esta espécie. A sua característica principal é estar provida de pontas genais que terminam em bicos, o que sugere que seriam boas nadadoras.

Placoparia (Placoparia) cambriensis HICKS; 1875

Placoparia é uma das trilobites mais comuns do Ordovícico Médio, não sendo muito frequente em Canelas.Trata-se da única espécie cega, conhecida na pedreira e capaz de viver em meios variados de profundidade e de luminosidade.

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