O percurso agora proposto, com inicio e fim no Centro de Interpretação Geológica de Canelas e com duração aproximada de 2:30h, permitirá realizar uma “viagem no tempo”, entre os 520 e os 300 Ma antes do presente, e a “leitura” de alguns importantes capítulos da História da Terra nesse período de tempo. Trata-se de um percurso circular com cerca de 2,5 km, e contempla nove paragens, seis dos locais são geossítios de grande interesse e as restantes três são de índole cultura e históricos.
Conselhos úteis:
- A rota do Paleózoico poderá ser condicionada ou alterada por motivos climatéricos.
- Aconselha-se aos visitantes o uso de roupa e calçado apropriado para a realização de um percurso de média dificuldade.
Normas de conduta:
- Permanecer junto ao guia.
- É proibida a recolha de fósseis ou a utilização de martelos para partir pedras.
- Não danificar as placas de informação.
- Não deixar qualquer tipo de lixo pelo chão.
- Não fazer fogo.
- Não danificar a fauna e flora dos locais
Etapas: :: clique sobre cada uma das etapas para obter mais informação ::
Paragem 1 – A via romana
Neste local observa-se uma interessante ocorrência de carácter arqueológico. Trata-se de um conjunto de três pequenos troços paralelos que fariam parte da antiga via usada desde a ocupação romana, na ligação de Arouca a Alvarenga e a Lamego e desta zona com o Rio Douro, e que de alguma forma poderiam estar relacionados com as explorações auríferas da região. Actualmente ressaltam à vista os sulcos escavados pela passagem dos carros de tracção animal, num plano paralelo à xistosidade das rochas do substrato.
Paragem 2 – A “Mesa dos Ladrões”
Nesta paragem podemos observar um grande bloco quartzítico, resultante do desmantelamento da crista quartzítica dos Galinheiros, que tem a forma de uma mesa, e sobre a qual, reza a tradição, em meados do século XIX a quadrilha do Zé do Telhado teria procedido à divisão dos produtos roubados aos ricos proprietários agrícolas destas redondezas.
Paragem 3 – O miradouro da Gralheira d`Água
Neste magnífico miradouro, situado sobre os quartzitos da Formação Santa Justa (Arenigiano- Ordovícico Inferior), obtém-se uma vista privilegiada de proximidade sobre a pedreira de exploração de ardósias, de idade Oretaniano (Ordovícico Médio), e sobre o complexo industrial da empresa Ardósias Valério & Figueiredo, Lda. Ao mesmo tempo alcança-se uma panorâmica de excepção sobre as serras de Montemuro, S.Macário, Arada e Freita bem como o vale do rio Paiva e Douro, ficando assim com a noção da marcada geomorfologia desta região, onde imperam altas serranias e profundos vales.
Paragem 4 – Os icnofósseis dos quartzitos
Na face inferior dos estratos quartzíticos da Formação Santa Justa é possível observar inúmeras marcas (Icnofósseis) deixadas pela actividade dos seres vivos que viveram nestas épocas geológicas remotas. Os icnofósseis aqui encontrados correspondem maioritariamente a marcas de Cruziana ispp., que são pistas ou trilhos deixados por artrópodes, muito presumivelmente trilobites.
Paragem 5 – A mina romana da Gralheira d`Água
O “Fojo” romano da Gralheira d`Água é similar a muitos que se encontram na denominada “Faixa Auro-antimonífera Dúrico-Beirã”, caracterizando-se essencialmente por possuir um plano superior grosseiramente sub-rectangular, com cerca de 10 metros de comprimento por 6 metros de largura. Apresenta actualmente uma profundidade máxima na ordem dos 25 metros, embora se admita que a erosão e a acumulação de sedimentos no fundo terão reduzido em muito o desnível original. Nesta estrutura observam-se algumas evidências da utilização do fogo como método de desmonte. Na envolvente é ainda possível observar um conjunto sequencial de quatro pequenos poços, que corresponderiam a uma lavaria primitiva, e múltiplas “covinhas” no quartzito que não serão mais do que os almofarizes para triturar a rocha mineralizada. A água imprescindível ao processo de lavagem era proveniente do “Olho Marinho”, uma pequena nascente situada nascente situada na parte mais alta da crista quartzítica e perene mesmo em anos de maior estio.
Paragem 6 - Os conglomerados do Carbónico
Neste local é possível observar um espectacular conglomerado clasto-suportado, resultante da erosão e desagregação das vertentes da bacia carbonífera há cerca de 300 Ma. Uma observação mais atenta deste afloramento permite localizar facilmente clastos resultantes da desagregação das litologias mais antigas, nomeadamente dos quartzitos do Ordovícico.
Paragem 7 – A grande glaciação do final do Ordovícico
Há cerca de 445 Ma, no Ordovícico terminal, ocorreu uma das maiores glaciações que atingiu o nosso planeta. Este evento com repercussões globais ficou marcado nesta região pelas rochas da Formação Sobrido, que são o testemunho da retoma da sedimentação pós-glaciária.
Temos assim na base os quartzitos da crista dos Galinheiros, seguidos pelos grauvaques argilosos com clastos dispersos. A origem destes “dropstones” foi muito debatida no passado, actualmente são interpretados pelos geólogos como pequenos seixos inicialmente aprisionados e transportados pelos icebergs, cuja fusão teria originado uma autêntica “chuva de clastos” sobre os fundos marinhos com sedimentos mais finos, onde ficaram intercalados.
Paragem 8 – Unidade de transformação das ardósias
A utilização de matérias-primas está dependente de um conjunto de processos de extracção e transformação, que muitas vezes desconhecemos. Aqui temos oportunidade de ver todo o processo de transformação destinado a obtenção dos diversos produtos de ardósia comercializados pela empresa Ardósias Valério & Figueiredo, Lda., sob a forma de telhados rústicos, soletos, pavimentos, revestimentos, etc.
Actualmente é exportada cerca de 50% da produção da empresa para mercados tão díspares como a Alemanha ou o Japão. Merece particular destaque o facto de todos os funcionários estarem permanentemente alerta para a possibilidade de ocorrência de fósseis nas ardósias, este facto tem permitido recuperar, exemplares fósseis de enorme beleza e valor científico.
Paragem 9 – Centro de Interpretação Geológica de Canelas – CIGC
O CIGC constitui-se actualmente como um exemplo ímpar de cooperação entre a indústria extractiva e a ciência. Aqui é possível observar os fósseis mais importantes recolhidos na pedreira nas últimas duas décadas, que pela sua raridade e espectacularidade são considerados únicos, principalmente as trilobites, que para os seus géneros e espécies são as maiores do mundo.