Louseira de Canelas
A primeira referência efectiva à descoberta do filão das lousas de Canelas – Arouca remonta a 1820, tendo este sido encontrado por Manuel da Costa de acordo com os estudos realizados por Pinto Madureira.
Em 1909, na já citada obra de Pinto Madureira, é referida uma estimativa de 400 a 500 carradas de lousa extraída anualmente, utilizada nos telhados de muitas das casas das freguesias circunvizinhas de Canelas, e já considerada a maior riqueza de Canelas.
O grande impulso da exploração terá sido dado pelos irmãos Valérios: Manuel, Custódio e Joaquim, que a partir de 1920 recorrem a novas tecnologias, até então utilizadas na mineração do volfrâmio, como os sarilhos e as vagonetas. Esta nova dinâmica na exploração elevou sobremaneira a produção, ao ponto de a sociedade ter feito pela primeira vez publicidade às ardósias na imprensa local, incentivando a sua utilização.
O ano de 1962 marca o interesse demonstrado nos afloramentos de Canelas pela empresa Exportadora de Ardósias de Valongo, Lda., que fez um arrendamento dos maciços de ardósia, prevendo uma exploração em regime industrial.
Depois deste episódio, a extracção de lousas tornou-se ainda mais pontual, até que em meados da década de 1970 se assistiu ao seu abandono por inactividade. Este durou cerca de vinte anos, pois em 1988, depois do interesse manifestado pela Empresa Carbonífera do Douro, os actuais proprietários decidiram reiniciar esta actividade com fortes raízes familiares.
O início dos trabalhos teve por base um protocolo de cooperação entre os donos do terreno e a Câmara Municipal de Arouca, que culminou na realização de um Curso de Formação Profissional denominado “Louseiros de Técnicas Tradicionais” .O carácter totalmente artesanal desta actividade de formação colocou em evidência a necessidade de implementar uma exploração industrializada, com vista à rentabilização da extracção desta matéria-prima, com a consequente diversificação dos produtos e mercados.
Foi neste quadro que nasceu em 1990 a actual empresa Ardósias Valério & Figueiredo, Lda.
Até ao ano de 1995 a empresa cresceu lentamente, de acordo com o ritmo de procura típico de um mercado essencialmente regional. Foi então que a primeira exportação de pavimentos para a Alemanha iniciou a etapa de internacionalização da empresa, que culminou em 1997 com a adjudicação de fornecimentos regulares para a multinacional Cártier, que durante quatro anos remodelou as fachadas das suas lojas, espalhadas um pouco por todo o mundo, com ardósias provenientes de Canelas.
Actualmente cerca de 50% do material produzido é destinado ao mercado externo, com destaque para diversos países da União Europeia e para o Japão. Uma nova etapa está em implementação, visando a determinação das reservas existentes e a possível ampliação da área de concessão, procurando aumentar o aproveitamento do material extraído e a diversificação de produtos e mercados.