Fósseis de Canelas
Quase dois séculos se passaram desde que foram realizadas as primeiras explorações de ardósias em Canelas. A tradição da exploração das lousas foi-se perpetuando na região, ainda que com algumas interrupções com elas foram sendo trazidos á luz do dia inúmeros invertebrados fósseis, em especial, as Trilobites.
O conteúdo fóssil destas ardósias foi dado a conhecer pela primeira vez em 1956, por Décio Thadeu.
A fundação da empresa “Ardósias Valério & Figueiredo, Lda.” em 1990, permitiu uma verdadeira exploração industrial das ardósias, com vista á produção de coberturas para telhados, pavimentos, revestimentos de fachadas, entre outros materiais. Foi graças às escavações realizadas na “Pedreira do Valério” e à cooperação da empresa concessionária da mesma que foi possível reunir um extraordinário património paleontológico, com relevância internacional.
O grosso da colecção incluindo os exemplares de maior interesse cientifico encontram-se em Canelas e serviu de inspiração para a criação do Centro de Interpretação Geológica de Canelas. Esta infra-estrutura tem entre outros objectivos promover a realização de investigações Paleontológicos e difundir este património aos alunos de todos os níveis de ensino, e o grande público em geral.
O CIGC, reúne uma diversificada e singular colecção de fósseis, resgatada durante duas décadas no decorrer dos trabalhos industriais nas ardósias, formadas há cerca de 465 milhões de anos (Período Ordovícico), no fundo do mar de então que se localizavam na plataforma de um grande continente (Gondwana), situado nas proximidades do pólo sul. Esta excepcional colecção paleontológica, alberga uma fauna de invertebrados fósseis do Ordovícico Médio, onde se destacam trilobites, bivalves, gastrópodes, cefalópodes, braquiópodes, crinóides, cistóides, hiolítideos, conulárias, ostracodes, graptólitos e icnofósseis.